A era das mensagens claras!

Entradas do Março 2008

Não sou nada

28 Março, 2008 · 7 Comentários

por  Marcos Cesar Filho, colaborador, professor de história e advogado

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa

Cinco da manhã, acordo e vou dar uma corrida, por incrível que pareça me empolgo, orvalho e muitas idéias, não sou fã de corrida, prefiro a bicicleta e tudo que tenha pedal (inclusive carro) sou bom mesmo em pensar! Ai sim… Penso tanto que tenho câimbra, penso tanto que falo sozinho, penso tanto que acabo me fazendo perguntas que nem eu mesmo consigo responder, ou talvez, na melhor das hipóteses nem queira.

Tenho um orgulho infeliz de afirmar que ninguém sabe mais sobre a minha vida que eu mesmo (acho que isso não atrapalharia muito se optasse pela política). Gosto (preciso) acreditar que essas característica não são só minhas,digo, quem nunca acordou pela manha se olhou no espelho, e  perguntou : O que estou fazendo aqui? Por que estou fazendo isso? É que às vezes eu acho que… Sei lá… Sou sincero.

Nessa manha penso sobre meus sonhos e temo por eles . Ainda estou aprendendo a quebrar as amarras inúteis, preconceituais, convencionais que muitas vezes me tolhem e continuam a me escravizar, tenho orgulho das pessoas que conseguem ser livres. Quando o homem aprende a enfrentar seus medos ,só assim consegue destrocá-los.

Olho para o relógio, já corri quase uma hora , paro ,enxugo o rosto. Não desfrutei nada. Não prestei atenção na quietude, no sol rubro, na natureza despoluída. Nada!

Sentei e no MP3, Nando Reis me convence a cada verso “quando não tiver mais nada, nem chão, nem estrada, escudo ou espada, o seu coração acordará”. Tenho que ir trabalhar, estudar, ralar, ralar, ralar… mas não paro de pensar. A humanidade em nível geral, e doente, nunca tem tempo e na maioria das vezes esquecem seus sonhos. E se violentando a cada passo, plenamente convencida que segue a rota certa na corrida da sobrevivência, desencontra a essência da vida, e um dia repara: “Esqueci de Viver”.

Quero uma vida de sentimentos afetivos, de sonhos realizados, felicidade em qualquer lugar, não quero formas de morte, morte psicológica, lenta ou constrangedora. Quero uma vida no seu sentido mais amplo. Não quero esquecer de viver, quero meus sonhos também. 

E você, o que quer fazer antes de morrer ?

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Mensalinho, mensalão e mensaleiros, UNI-VOS !

27 Março, 2008 · 9 Comentários

por  Goethe Ramos, colaborador 

O Presidente Luis Inácio Lula da Silva realmente está mostrando a que veio. Em campanha antecipada para a escolha de seu sucessor, empolgou-se de vez, com o sentimento de vitória antecipada (as pesquisas lhes são extremamente favoráveis).

Defendeu com a cara de pau que o ABC (origem do sindicalista) lhe deu, e defendeu de forma apaixonada, o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcante (o do mensalinho) e, em discurso inflamado no Recife, culpou a elite paulista pela renúncia do ex-deputado. Deve o grande líder popular considerar mais avançada a oligarquia nordestina, sua aliada do momento.

 Para ser sincero, não me espanta: mensalão, mensalinho, tapioca no cartão,  botox,  sindicalista vendendo trabalhador, Delúbios, Silvinhos, enfim…

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS… Assistimos a tanto cinismo.

Veja o vídeo da Lula fazendo defesa polêmica de Severino:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM808249-7823-LULA+FAZ+DEFESA+POLEMICA+DE+SEVERINO+CAVALCANTI,00.html

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Y Ikatu Xingu

26 Março, 2008 · 1 Comentário

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foto: Orlando Britto

A expressão, na língua Kamaiurá (Kamaiurá é um dos povos xinguanos) quer dizer “Água Boa, Água Limpa do Xingu ”.

Em meados nos anos 1990, as lideranças do Parque Indígena do Xingu, no nordeste de Mato Grosso, manifestaram sua preocupação com a situação da ocupação e do desmatamento no seu entorno e com assoreamento dos rios que cortam a área.

O Parque Indígena do Xingu é um dos maiores símbolos da diversidade sócio-cultural e biológica do Brasil. Criado em 1961, é uma das terras indígenas mais conhecidas do País, abrigando 14 etnias e cerca de cinco mil pessoas. A criação do Parque resultou do trabalho dos mais importantes sertanistas brasileiros, entre eles os irmãos Villas-Bôas.

O ISA (Instituto Socioambiental), que atua na região desde 1994, por meio do Programa Xingu, incorporou a questão e desenvolveu a idéia juntamente com vários parceiros – índios, fazendeiros, agricultores familiares, pesquisadores, organizações da sociedade civil entre outros.

As nascentes ficam do lado de fora do parque do Xingu e desaguam dentro dele, escorrem para ele. Como estão localizadas fora do parque, estas nascentes sofrem com o problema de desmatamento, próximas à cidades e sem proteção.

Eu sei que temos visto os descasos com o cidadão e às vezes nos sentimos desamparados, epidemia de dengue no Rio de Janeiro, abandono de estradas, roubalheira, mas se tem uma coisa que caracteriza este povo é a solidariedade, a vontade de ajudar, o jeito que encontramos para resolver problemas. O engraçado, ou felizmente, é que na maioria das vezes camapanhas como esta do Xingu tem como fonte de financiamento embaixadas, organizações internacionais e fundações estrangeiras.

Participe! http://www.yikatuxingu.org.br

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Olhemos o espelho

24 Março, 2008 · 3 Comentários

por  Cristovam Buarque, professor, senador e colaborador

Nesta semana, lembrei de um colega de curso primário, Fernando Acosta Rodrigez, o melhor aluno da turma, filho de espanhóis bem recebidos no Brasil, há quase 60 anos. Hoje, Fernando é tão brasileiro como qualquer de nós, e deve ter ficado indignado com o comportamento dos funcionários de fronteira do aeroporto de Barajas, que impediram brasileiros de entrar na Espanha porque não comprovaram dispor de dinheiro suficiente para ficar no país.

Com razão, reclamamos do fato dos jovens brasileiros serem barrados na fronteira da Espanha quando iam fazer um curso. Mas nós mesmos não deixamos entrar nas boas escolas os filhos daqueles que não podem pagar as mensalidades. Os muros das nossas escolas são tão protegidos quanto as fronteiras dos aeroportos do mundo. Ainda pior, porque se o imigrante consegue entrar, pode ficar anos circulando clandestinamente; mas nas escolas e faculdades, se o aluno não pagar, as catracas automaticamente o barram na próxima vinda à aula.

No Brasil, a entrada de qualquer hospital de qualidade é protegida por barreiras mais difíceis de atravessar do que as fronteiras européias. Para entrar, não basta estar doente, é preciso ter dinheiro, conta bancária, documentos de seguro em dia. As exigências da portaria do hospital brasileiro são muito mais rígidas do que dos aeroportos na Espanha.

Se um brasileiro pobre conseguir pagar o ônibus para ir a um shopping, corre o risco de ser abordado pelo segurança e convidado a se retirar, porque não parece pertencer àquele mundo de consumo, por causa da roupa, do chinelo, dos dentes. Ou simplesmente porque, para os guardas, ele representa uma ameaça aos privilegiados freqüentadores, tanto quanto, para os guardas de fronteira espanhóis, nós somos uma ameaça aos privilegiados habitantes da Comunidade Econômica Européia.

Ver nossos compatriotas impedidos de entrar na Espanha é um absurdo que deve nos indignar, mas não nos esqueçamos dos 16 milhões de brasileiros adultos impedidos de entrar na modernidade porque não receberam as condições para serem alfabetizados. Criticamos o excesso de zelo nas fronteiras espanholas impedindo a entrada de brasileiros naquele país, para estudar ou trabalhar, e nos esquecemos da nossa falta de zelo de permitir que os brasileiros recebam a educação e a formação profissional para entrar no mundo do trabalho.

Precisamos manifestar nossa indignação com o comportamento dos países ricos que a cada dia dificultam mais o ingresso de turistas, estudantes, trabalhadores em busca de alternativas melhores no exterior. Mas precisamos olhar no espelho de nossa própria sociedade, e nos perguntarmos por que só merece crítica o comportamento dos policiais da fronteira contra alguns brasileiros que vão ao exterior, ignorando o comportamento do emaranhado de fronteiras dentro do Brasil contra os brasileiros que desejam alguma alternativa aqui dentro.

O Brasil é um país dividido por fronteiras tão rígidas quanto as do aeroporto de Barajas ou qualquer outro de um país rico. Nós barramos os brasileiros.

E há uma fronteira pior: a dos olhos fechados, da falta de percepção para ver estas fronteiras contra os brasileiros pobres. E que é capaz de provocar a recusa de artigos como este, dizendo que é muito diferente o impedimento de um turista entrar em um país estrangeiro e de um doente entrar em um hospital em seu próprio país. Diferente contra que lado do espelho: dos espanhóis ou dos brasileiros?

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Parabéns Zé!

19 Março, 2008 · 9 Comentários

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por  Walder Junior, colaborador

 No domingo, dia 16 de março, José Dirceu completou 62 anos de vida. Vida marcada por movimentos estudantis, ditadura, luta armada, exílio, Cuba, Partido dos Trabalhadores, Governo e escândalos.

Parabéns Zé, por fazer parte do cenário político brasileiro seja lutando por um Brasil melhor, seja ajudando a fundar uma das maiores forças políticas de oposição, o PT. Palco seu, este, por muito tempo e ainda o é.

Parabéns Zé, pelos abraços e felicitações de políticos influentes e amigos de longa data que prestigiaram sua festa, o Palocci, Zé Múcio, Zé Genoino, a “Mãe do PAC”, Hélio Costa e outras personalidades que sempre aparecem aqui e ali para o nosso deleite político.

Parabéns Zé, pelo blog para discutir um Brasil mais justo, pela resposta às denúncias infundadas da revista Veja, pelo discurso da queda onde disse que saía mas não deixava de governar. 

Agora, parabéns mesmo Zé, por nos alertar e nos lembrar que as pessoas mudam, da água para o vinho, do vinho para a água ou até mesmo dá água para outra água, mais suja, contaminada, bebida por muitos nesse país.

Você mudou e sabe disso, melhor, nós sabemos!  :)

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Roda Viva

17 Março, 2008 · 1 Comentário

A TV Cultura e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) assinaram, no dia 14 de junho de 2007, um acordo de cooperação que coloca no ar o Portal Roda Viva/Fapesp. O novo site, em caráter experimental, permitirá o acesso às transcrições das entrevistas realizadas no Roda Viva nos últimos 21 anos, na íntegra.

No Portal, o internauta também poderá pesquisar temas que foram abordados e/ou citados durante os programas, por meio de um mecanismo de busca que identifica palavras-chave. Além disso, será possível assistir trechos das entrevistas.

O Portal disponibilizará as transcrições das entrevistas, que somam mais de mil personalidades e temas que estiveram no centro do Roda Viva. Lá, podemos rever a entrevista do então, sem cargo, Luíz Inacio LULA da Silva criticando FHC e falando de seu amadurecimento político. Outras entrevistas como a do próprio FHC, como presidente da república, fazendo um balanço de seu segundo mandato. Fernando Collor de Melo, Cristovam Buarque, Telê Santana, Darcy Ribeiro, Steve Ballmer, Raúl Alfonsín, Paulo Francis, Roberto Jefferson entre outros.

Vale a pena dar uma olhadinha e rever estas entrevistas com formadores de opinião e personalidades do Brasil e do mundo. Você vai ver e ouvir coisas interessantes e coisas não tão interessaaaaaaaantes assim.

http://rodaviva.fapesp.br

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Deportar Robinho?

13 Março, 2008 · 1 Comentário

Em meio a tantas outras, uma faixa chamava a atenção de quem entrava na Câmara Federal nesta quinta-feira. Assinada pelo Deputado Márcio França, lider do PSB.

Deportar Robinho?

A faixa, feita em lona, tinha pelo menos o dobro do tamanho de todas as outras que concorriam no jardim do anexo II da “casa de todos os brasileiros” e precisou de quatro ripas de madeira e várias cordas para se manter de pé.

A piada não justifica o gasto. E o Robinho, será que gostou?

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Políticos ou Política ?

11 Março, 2008 · 3 Comentários

por  Walder Junior, colaborador e blogueiro 

Do quê gostamos mais? Da política ou dos políticos? Outra dia, ouvi de um amigo meu que teve acesso a uma pesquisa do IBASE que, a maioria dos jovens gostam de política e não dos políticos.

Não sei até que ponto isso retrata a realidade brasileira ou se isso é limitado à juventude. Passamos por momentos difíceis, escândalos, turbulências, denúncias, negociatas, fraudes que refletem a deformidade de valores em que vivemos dentro da sociedade e no âmbito político. Estes valores deformados trazem consigo uma desesperança na renovação política, nos novos políticos. Como ficaremos nas mãos desta nova geração de políticos brasileiros ? Pode ser que eles estejam vendo tudo o que está acontecendo e chegam com vontade de mudar. Pode ser que não …

Desculpem o desabafo mas é que cansei de ver políticos flagrados, encostados na parede e que conseguem dar uma desculpa e se safar. “O que o senhor tem a dizer sobre os equipamentos para quimioterapia que custam milhões e estão parados na dispensa do hospital?” pergunta a repórter. “Bem, este tipo de equipamento precisa de uma sala especial, tem que ser testado durante 4 meses e aí sim instalado.” Responde o secretário de SAÚDE, eu disse SAÚDE!!! “Mas e o jipe?” Pergunta o repórter. “Estávamos bebendo em um restaurante e falei que tinha vontade de ter um Jipão e ele disse que na empresa dele tinha mais de cem. Depois que nos encontramos novamente ele me presenteou com um.” Responde outro secretário. “Mas o senhor votou a favor na época.” Afirma o repórter. “As pessoas mudam de opinião, sempre evoluindo, nunca retrocedendo.” responde algum político passando pelos corredores do congresso nacional.

Seja de política ou de políticos, temos que gostar do nosso país, do próximo, sermos mais solidários conosco e com o planeta, e quem sabe, mais homens e mulheres para mudar esta sala de controle miudiiiiinha que pensa, decide e que diz a este gigante, pela própria natureza, o que fazer.

Gosto de política mas amo pensar nos outros!

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As lideranças do Senado

6 Março, 2008 · 3 Comentários

por  Cristovam Buarque, colaborador, senador e professor

Tenho defendido, nos últimos meses, que o Senado aja com rigor para combater a imagem de paralisia que o atingiu, e que se disseminou em toda a opinião pública.

Três coisas são necessárias para pôr fim a essa crise. A primeira, instituir o anti-recesso: os senadores devem passar um mês inteiro, sem recessos nem viagens, debatendo os grandes problemas nacionais. Os senadores não têm tempo de dialogar. O Congresso é um Parlamento que não parlamenta, por falta de tempo. A segunda, trazer para o Senado o debate sobre temas da agenda nacional. Não só em tom de crítica, mas com proposições, idéias, eixos, rumos. Em terceiro lugar, o Senado precisa se dedicar à pauta do povo, àquilo de que o povo precisa. Sem isso, o discurso cai no vazio.

O gesto do senador Arthur Virgílio de se lançar candidato à Presidência da República fez o Senado dar um salto adiante. Nos Estados Unidos, os três pré-candidatos são senadores. O Senado brasileiro tem ex-governadores, ex-prefeitos e até ex-presidentes – 81 líderes nacionais. Mesmo assim, nenhum dos pré-candidatos que aparece nas pesquisas é Senador.

O Brasil merece conhecer e discutir os projetos de cada Senador. No PT, o Senador Paulo Paim seria o primeiro pré-candidato negro do País. E Eduardo Suplicy já disputou uma prévia com o próprio Lula. No PSDB, seria positivo ouvir as propostas do Senador Arthur Virgílio, que tenta suplantar a força de São Paulo e Minas Gerais, ou de Tasso Jereissati, do Nordeste. Como no DEM, do Senador José Agripino ou de Marco Maciel, ex-Vice-Presidente e candidato natural à Presidência da República. No PMDB, seria bom ouvir as propostas dos Senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, ou de Geraldo Mesquita, que tão bem defende a Amazônia. Lembrando ainda do Senador Mão Santa, um dos mais populares dos atuais senadores. No PDT, os Senadores Jefferson Peres e Osmar Dias.

O Senado se apequena quando seus senadores sequer assumem ter condições de disputar, nos seus partidos, a escolha do candidato à Presidência da República. Senadores pré-candidatos subiriam à tribuna para afirmar posições, defender propostas para enfrentar nossos maiores problemas. O Senado sairia engrandecido quando, nas pesquisas de opinião, aparecessem vários Senadores. Isso o ergueria à posição de instituição que realmente debate os destinos nacionais, e pode oferecer nomes para o máximo cargo da vida pública brasileira.

A agenda nacional só será discutida com vigor no Senado Federal se os Senadores deixarem de agir como simples Parlamentares, e encararem a possibilidade de um deles, um dia, conduzir os destinos do País.

É hora de enriquecer o processo eleitoral. Hoje, no Brasil, estão previstos dois turnos, mas o eleitor só escolhe, efetivamente, no segundo. Quem tem voz no primeiro turno são as máquinas partidárias e a grande mídia. As máquinas político-partidárias escolhem seus candidatos, e a mídia diz quem vai para o segundo turno. O primeiro turno tem sido uma farsa neste País. Por isso é importante que cada Senador assuma que pode ser candidato à Presidência, mesmo sabendo que dificilmente será. As máquinas partidárias ainda dominarão o cenário eleitoral. Mas os senadores devem disputar, dar seu recado.

Esta não é uma provocação ingênua, ou puramente retórica. O gesto do Senador Arthur Virgílio fez mais para recuperar o prestígio do Senado do que todos os discursos ali realizados nos últimos meses. Esta é a única maneira que os Senadores têm de assumir a liderança que os levou até lá.

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PRECISAMOS DAR UM GRITO, ANTES QUE NOS CALEM!

5 Março, 2008 · 10 Comentários

por  Goethe Ramos, colaborador e analista de sistemas

No artigo postado aqui no Política Direta, o Walder Junior  questiona A Internet é democrática?

Este assunto deveria entrar em destaque novamente e merece ser mais bem discutido. Acho a questão se a Internet é ou não é democrática uma discussão enganosa. A questão é como as estruturas de poder vão querer ou tentar interferir em seu funcionamento, acesso ou “limites”. Falei anteriormente do Governo da China que bloqueia o acesso dos chineses a vários sites e serviços, podemos nos lembrar da exclusão digital e, agora, mais recentemente e grave, a Comissão de Ciências, Tecnologia e Informação (CCT), do Senado, aprovou, sem realizar sequer uma audiência pública, projeto de Lei do senador Expedito Junior que altera o Código Penal aumentando em um terço a pena para crimes contra a honra praticados pela comunicação eletrônica, na prática uma vergonhosa restrição à liberdade de opinião e expressão na Internet. 

Este senador, sr. Expedito Junior (PP-RO),  tem o seu mandato questionado (segundo denúncia do Ministério Público, fazia parte de um esquema que contratou funcionários da empresa Rocha Vigilância, às vésperas do primeiro turno das eleições de 2006, para trabalhar como “formiguinhas” – nome dado aos cabos eleitorais em Rondônia). Deve realmente estar incomodado com a liberdade de imprensa e opinião. 

Esta decisão da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação (CCT) vai contra a recente decisão do STF, onde o Ministro Ayres de Brito pronunciou a sua já histórica sentença liminar suspendendo a vigência da Lei de Imprensa – entulho deixado pela ditadura.

Embora circule muito lixo eletrônico na Internet, o projeto do senador Expedito Junior é, na realidade, mais uma ameaça às liberdades de expressão e informação nas novas formas de comunicação.  Assusta-me, ainda mais, o fato de não ter havido audiência pública, uma vergonha. Esse açodamento para aprovação pela CCT mostra as ações em surdina para calar milhões.

PRECISAMOS DAR UM GRITO, ANTES QUE NOS CALEM.

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