por Marcos Cesar Filho, colaborador, professor de história e advogado
“Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém”
(Martin Luther King Jr 03 DE ABRIL DE 1968)
No dia 4 de abril de 1968 morreu Martin Luther King, Jr. Em uma época de exacerbada segregação racial. Filho e neto de pastores batistas em 1951, aos 19 anos formou-se em um Seminário Teológico. Quatro anos depois, obteve seu doutorado em Teologia pela Universidade de Boston.
Luther king sempre baseou sua luta nos ideais de resistência pacífica, chegando até a visitar a Índia em 1959, para estudar as formas de protesto pacífico de Gandhi. King continuou a liderar protestos sem empregar violência. Apesar de sempre lutar pacificamente contra a discriminação racial, foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública. Na prisão, King escreveu uma famosa carta na qual afirmava que as pessoas tinham a responsabilidade moral de desobedecer e lutar contra leis injustas. Sua família foi ameaçada de morte e sua casa foi destruída diversas vezes.
Em 1963, organizou a “Marcha para Washington”, que foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. Nesta marcha, King fez seu mais famoso discurso “Eu Tenho Um Sonho” (http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/discursoking.htm ). O discurso expressou seu sonho – e o sonho de todos os negros e de outras minorias nos Estados Unidos – de viver numa sociedade igualitária e justa.
Em 4 de abril de 1968, Martin Luther King, Jr. foi assassinado em Memphis, Tennessee, por um franco atirador branco chamado James Earl Ray.
Essa pequena lembrança, na verdade esse pequeno texto (ou como desejarem) deveria ser escrito há alguns dias, mas me senti com profunda responsabilidade em escrever sobre essa figura impar, um dos melhores seres humanos que infelizmente não tive a honra de conhecer, mas que a obra me influenciou profundamente.
Quatro décadas depois a sociedade norte-americana continua a enfrentar um cenário de extrema intolerância racial o que fez os candidatos Hillary Clinton e o Republicano, John McCain lembrar de sua morte na cidade de Memphis (no Estado do Tennessee) tentando conquistar apoio entre o eleitorado negro.
Obama, que pode se transformar no primeiro negro a comandar a Casa Branca e que recebe uma grande parcela de apoio dos eleitores negros, celebrou o dia em Fort Wayne, Indiana, onde afirmou a uma multidão de 2.800 pessoas que o cenário político dos EUA não havia honrado os sonhos de King.
- Durante um longo período de tempo, tivemos um cenário político pequeno demais para a dimensão dos desafios que enfrentamos – disse.
- Ao invés de termos um cenário político que honrasse os apelos de unidade feitos pelo doutor King, tivemos um cenário político que usou a raça para nos separar.
- Apesar de cada um de nós possuir um passado diferente, compartilhamos todos as mesmas esperanças em relação ao futuro’, afirmou Obama, citando questões como a oferta de trabalho, a assistência médica, a educação e a segurança financeira na aposentadoria.
Não quero me desiludir com Barack Obama, como aconteceu com outros do qual acreditei e cheguei a defender, mas à realidade e que essas são esperanças comuns, sonhos modestos, mas verdadeiros. E eles encontram no coração da luta por liberdade, dignidade e humanidade que Martin Luther King Jr. deixou.
Hoje sobre sua lapide encontra-se a famosa frase: “Free at last, free at last/Thank God Almighty/I´m free at last” (“Finalmente livre finalmente livre/Obrigado Deus Todo-Poderoso/Finalmente sou livre).