A era das mensagens claras!

Entradas do Abril 2008

Um bando de frouxos!!!

30 Abril, 2008 · 5 Comentários

por  Walder Junior, colaborador

Precisamente, as 11h em ponto da manhã, adentrei à agência da Caixa Econômica Federal para fotocopiar um documento de minha precisão. Entrando, já me deparei com uma fila enorme pra marcar, ou registrar, ou agendar, sei lá, uma fila obrigatória antes de entrar pra fazer alguma coisa.

A impressão que tenho é que os bancos querem cada vez menos nossa presença na agência. Aumentam a quantidade de caixas eletrônicos, incrementam os Internet Bankings, colocam fila pra tudo. Coitado dos velhinhos que vão lá bater-papo… passar o tempo …

Bom, com duas ou três pessoas faltando para minha vez escuto a atendente dizer a senhora: “Estamos aproveitando para informar que, a partir de hoje, será cobrada uma taxa para cada saque acima de quatro saques mensais em sua conta corrente e acima de dois saques mensais em sua poupança.”

Como é que é? Pagar pra sacar meu dinheiro? Pensei comigo. Então eles passam uma informação para a imprensa informando que o número de taxas será reduzido, passa para 10 taxas (eram mais), que o banco não poderá cobrar mais por talão de cheques, pelo cartão do banco e, no mesmo dia, passam a cobrar pelo limite da quantidade de saques em todas as agências bancárias, de todos os bancos, público ou privado?

Já não é o bastante, os bancos terem faturado como nunca faturaram na vida nestes últimos anos, que a culpa de tudo é da CPMF! P… de CPMF! Áaaaaaaaaarrrrrrrrrr! De novo a CPMF?

Às vezes acho que somos um bando de frouxos. Em um país de 180 milhões de pessoas aceitamos tudo o que uma minoria decide, calados! Depois reclamam da falta da liberdade em Cuba se o que falta pra gente é coragem, ou falta também liberdade?

Vamos lançar uma campanha! Todo mundo saca tudo da conta! Vamos guardar dinheiro em casa, embaixo do colchão, ou no freezer!

Não precisa sacar tudo de uma vez não, pode ser em mais vezes, mas nunca acima de quatro para conta corrente ou acima de duas para poupança porque senão, paga taxa.

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IL BUCO NERO

28 Abril, 2008 · Deixe um comentário

por  Raphael Bruno, colaborador, jornalista e cientista político

O presidente francês Nicolas Sarkozy não está mais sozinho. Em tempos de baixa popularidade, ele não precisará mais levantar isoladamente, nos grandes países europeus, a bandeira da direita. Não. Pois uma figura incontáveis vezes mais megalomaníaca do que ele acaba de ser eleita pela terceira vez para comandar a Itália. Por uma margem estreita de votos, Sílvio Berlusconi é novamente primeiro-ministro do país.

Quem se impressionou com a forma clara e descontraída com que Sarkozy assumia para si a direita política não conhece o controverso Berlusconi. Na Itália, ele é uma espécie de combinação explosiva entre Roberto Marinho, Paulo Maluf, Eurico Miranda e Antônio Ermírio de Moraes. É o homem mais rico do país, controla a maior parte da mídia italiana, a Justiça está sempre no seu encalço e é dono do poderoso clube de futebol A.C. Milan. Politicamente, nem mesmo Sarkozy consegue se equiparar a ele em termos de eficiência na implantação do programa da direita européia, que consiste basicamente no tripé submissão aos Estados Unidos/combate a imigração/desregulamentação da economia. Para se ter uma idéia, por diversas vezes Berlusconi atraiu para si o apoio de grupos neofascistas. Em nenhuma delas se envergonhou de aceitá-lo.

O fracasso da esquerda é exemplar. Não há um cidadão italiano que hoje não conheça em detalhes todas as falcatruas de Berlusconi. Mas, no poder, o ex-primeiro-ministro do Partido Democrático, herdeiro do famoso Partido Comunista Italiano, Romano Prodi, não fez lá muita coisa para se diferenciar das políticas da direita. Como, aliás, já é de praxe nos antigos partidos social-democratas, socialistas e comunistas da Europa. Pelo contrário, fez de tudo para se igualar a ela. Manteve, em grande medida, o apoio italiano às aventuras bélicas de Bush. Promoveu uma dura reforma da previdência. Tudo com o apoio dos sindicatos burocratizados sob seu comando, claro.

Ora, se é para perseguir o programa da direita, que o faça um dos seus grandes líderes, Berlusconi, que possui muito mais legitimidade para tanto do que um ex-comunista. A força de Berlusconi é tamanha na Itália que partidos que poderiam representar uma opção mais à esquerda do Partido Democrático, como os verdes e a Refundação Comunista, optaram por apoiar o governo de Prodi com medo de que acontecesse justamente o que aconteceu: a queda da coalização de centro e a volta de Berlusconi. Ao fazê-lo, se anularam como alternativa política. Receberam menos de 5% dos votos. Estão fora do Parlamento italiano. Ou seja, na prática, Berlusconi funciona como essa gigantesca força gravitacional capaz de puxar quase todo o eixo político para a direita. Algo como um poderoso buraco-negro. Que acabou de engolir a todos.

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Censura de campanhas na Internet

20 Abril, 2008 · Deixe um comentário

Lairson Giesel, colaborador

O que antes era apenas uma recomendação, tornou-se de fato parte da lei eleitoral para o pleito municipal de 2008. Os candidatos, segundo a resolução 22.718/2008 (pdf), só poderão fazer campanha eleitoral em seus sites de campanha, que deverão ser devidamente registrados nos respectivos TREs.

Conforme eu já havia dito no meu outro post sobre o mesmo assunto, essa é mais uma lei que dificilmente se fará cumprir. Como, num ambiente livre como a Internet vamos impedir que os milhões de eleitores e partidários se manifestem prós ou contra um ou outro candidato?

Mais que isso… como garantir que não serão criados personagens falsos para potencializar uma multa no candidato adversário?

Assim… Youtube, Orkut, twitter, Second Life… nada disso pode ser usado.

Alguns partidos e pré-candidatos já estão recorrendo da decisão autoritária da Justiça eleitoral que, estranha e contraditoriamente, cria a urna eletrônica, mas impede o debate livre e amplo no meio potencialmente mais democrático que já tivemos acesso.

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O Milagre do Deserto

18 Abril, 2008 · 2 Comentários

por  Cristovam Buarque, colaborador, professor e senador

Nesta semana, vi o milagre saindo das areias do deserto da península arábica no Catar. Não era petróleo ou gás, eram universidades, centros de pesquisas, escolas construídas na areia. O milagre está na decisão do Estado do Catar de criar uma base de sustentabilidade para a economia do país, quando o petróleo e o gás se esgotarem. O governo percebeu que, sem combustível fóssil, o deserto não terá outro recurso natural para dinamizar a economia. A industrialização chegaria tarde, não conseguiria concorrer com o resto do mundo, nem disporia dos recursos humanos necessários. Além disso, é perfeitamente perceptível que não é mais a montagem de produtos industriais que gera renda. Até os anos 50, para cada dez reais de renda, seis eram produzidos manualmente. Hoje, apenas um em cada dez reais vem da produção manual. Nove vêm do trabalho chamado imaterial.

O Catar compreendeu que o aumento substancial do preço do petróleo é ilusório. Primeiro, porque se baseia em um dólar que se desvaloriza até mais depressa do que a valorização do preço do barril de petróleo. Segundo, porque diferentemente dos governos que só pensam no curto prazo da próxima eleição, o governo do Catar assumiu que o petróleo é uma riqueza efêmera, e que o povo terá vida além das reservas. Com base nessas duas premissas, decidiu transformar a economia para o pós-petróleo e escolheu o principal e permanente recurso do futuro: o conhecimento.

Foi com essa visão estratégia de longo prazo que o governo decidiu fazer o “milagre do deserto”. Criou, para isso, a Fundação Catar. Iniciada em 1995 pelo chefe de Estado, xeque Hamad Bin Khalifa Al Thani, é dirigida desde então por sua esposa, Mozah Bint Nasser Al Misnad. A fundação é orientada pelo princípio de que o maior de todos os recursos de uma nação é o potencial do povo. Objetiva desenvolver esse potencial, por meio de uma rede de centros dedicados à educação progressiva, a pesquisas em ciência e tecnologias e ao bem-estar da comunidade.

Hoje, a Fundação Catar já conseguiu implantar, em pleno deserto, onde está Doha, uma “cidade da educação”. Um colosso de edificações modernas, desenhadas por grandes arquitetos do mundo. Já funcionam: a Escola de Arte e Design Industrial, da Universidade de Virgínia; a Faculdade de Medicina da Universidade de Cornell; a Escola de Engenharia Agrícola e Mecânica pela universidade do Texas; o Curso de Relações Internacionais e Ciências Políticas pela Universidade de Georgetown, o Curso em Ciência da Computação, Economia e Business pela Universidade Mellon Carnegie, o Curso de Jornalismo pela Universidade NorthWestern de Illinois e ainda o Curso de Enfermagem pela Universidade de Calgarie, do Canadá e outra de Engenharia da North Atlantic, também do Canadá.

Para esses cursos, são selecionados alunos de qualquer parte do mundo, desde que 40% sejam do Catar. Todos os cursos são pagos, mas a Fundação Catar garante bolsas integrais para todo aluno que necessite. Para financiar tudo isso, diz-se que a Fundação Catar reserva os recursos oriundos de um dos poços de gás de que o país dispõe. Toda renda originária desse poço seria destinada especificamente para financiar os programas de educação.

Assim, estão transformando um recurso não renovável – o petróleo e o gás -  no mais rentável, mais permanente e mais moderno de todos os recursos econômicos para o futuro: o conhecimento.

Esse é o milagre do deserto do Catar, que pode ser reproduzido em outros países que queiram usar seus recursos com a mesma eficiência.

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FIM DE UM CICLO

16 Abril, 2008 · 3 Comentários

por  Raphael Bruno, cientista político e jornalista

Apesar de municipais, as eleições de outubro próximo fornecerão um quadro consistente das articulações políticas nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe disso. Meses atrás, falava na necessidade de buscar ao máximo reproduzir nas alianças locais a estrutura da base partidária que o sustenta. Recentemente, sinalizou para candidatos ávidos pela sua presença em palanques que deve evitar o constrangimento de apoiar uma candidatura em detrimento de outra igualmente integrante da base do governo. Quer ganhar prefeituras e ajudar aliados sim, mas sem causar tensões desnecessárias em seu próprio governo.

O PT foi mais claro. Um tanto quanto envergonhado de alguns aliados que hoje integram o governo, fala em sua resolução eleitoral em dar preferência a partidos mais à esquerda dentro da própria base. Leia-se legendas como PCdoB, PDT e PSB. Não que isso acabe tendo efeito prático mais decisivo nas coligações. A vergonha de caminhar ao lado de antigos desafetos ou corruptos notórios é muito menor do que a vontade de governar. Contudo, revela que a legenda não deixa de perceber que finalmente a liderança política que exerce no campo das esquerdas pode estar chegando ao fim.

Sinais do desencadeamento desse processo não faltam. A principal liderança aglutinadora de forças, o próprio presidente Lula, caminha para abandonar esse papel, salve uma pretensão relativa a 2014. Os tropeços na tentativa de lançar Dilma Roussef mostram que não será fácil a construção de uma alternativa interna. E o bloco PCdoB, PSB e PDT mostra-se fiel, sem dúvidas. Mas articula-se para outubro com independência. E o faz pensando em 2010. Com ou sem PT. Quem tem Ciro Gomes com 20% de intenções de voto não precisa, num primeiro momento, de Dilma com 4%.

Por fim, resta ainda o fato de que a grande paixão vivida hoje pelo governo PT é o PMDB. Abandonadas posturas e programas ideológicos mais firmes de outrora, o PT se entrega cada vez mais às relações carnais com o PMDB. Descobre, com prazer, que para seus fins imediatos a noiva pemedebista se revela muito mais interessante do que as legendas menores que orbitam à sua volta há pelo menos 20 anos. Sem dúvida, o momento decisivo para que assim o fosse foi a disputa eleitoral de 1989. Por muito pouco, Lula deixou Brizola para trás e foi para o segundo turno contra Fernando Collor. A partir daquele momento, o PT incorporou e atraiu para si o projeto da esquerda no Brasil pós-redemocratização. Pela prática política, há tempos é no mínimo delicado situar o PT e Lula no campo das esquerdas. Nem ele mesmo assim o faz. Parece que um dos últimos elementos que ainda sustentavam esse tipo de enquadramento caminha para se esvaziar. Criado o vácuo, resta saber se alguém conseguirá ocupá-lo de maneira minimamente competitiva.

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Um voto na guerra

14 Abril, 2008 · 3 Comentários

por  Zé Afrânio, Analista de Administração, Colaborador

McCain, o candidato escolhido pelo Partido Republicano para disputar a presidência com os Democratas, tem dito aos quatro ventos que se for eleito manterá a ocupação no Iraque até ninguém tenha mais dúvidas que os EUA sairam vencedores da aventura inciada por Bush. Comenta isso sem mencionar um só instante o que pensa a sociedade em que vive sobre a quantidade de soldados americanos mortos na guerra, ou sobre os bilhões de dólares gastos para apoderar-se das reservas iraquianas de petróleo.

Com a crise dos “subprimes” e do sistema financeiro daquele país, podemos imaginar dificuldades para o candidato, até porque não vemos solução rápida da quase recessão nos EUA. Ou seja, um voto no McCain é um voto na guerra.

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Dinheiro não é tudo mas é 100%!

11 Abril, 2008 · 3 Comentários

por  Walder Junior, colaborador

Ontem, sentado ao lado de meu querido pai Walder Senior, assistindo o Jornal da Band vi de relance uma matéria sobre o aumento da verba de gabinete para os deputados. De relance porque estava preparando um sanduiche apetitoso. Mas então, mais tarde, fui averiguar na Internet.

O salário dos deputados é de R$ 16.512,09; Eles também recebem ajuda de custo (paga no início e no final de cada ano/13º e 14º salários) de R$ 16.512,09; Auxílio moradia R$ 3.000,00; Verba de gabinete (essa que vai aumentar) R$ 50.815,63; Tá me dando vergonha de escrever … Verba indenizatória (utilizada para manter o escritório no estado) R$ 15.000,00; Cota postal e de telefone R$ 4.268,55 e passagens aéreas variando de R$ 4.443,57 a R$ 17.693,63.

No total e atualmente, são mais de 630 milhões de reais gastos com tudo isso por ano (e vai aumentar)! Dinheiro nosso no bolso deles. Me ajudem em cálculos rápidos, dividir ou multiplicar. Se um transplante de coração custa em média R$ 50 mil em hospitais particulares, dava pra transplantar … ? Hum? Hum? Faça outros exercícios também com o que poderia ser feito com todo esse dinheiro e mande pra cá, pro blog, vamos publicar (politicadireta@gmail.com). Com caráter político-social é claro ;)

São 9,5 mil secretários parlamentares para 513 deputados. Nada contra aos funcionários de gabinete. Sou contra a forma de contratação destes (sem transparência e apadrinhada), contra a quantidade de funcionarios por gabinete, sou contra o nome gabinete que significa “sala destinada a trabalho” mas também significa “camarin”, sou contra o descaso e a queimação de filme que se tornou esta câmara federal!

Ah! E este aumento não precisa da aprovação de todos os deputados, só da mesa diretora da casa (da mãe joana). Ah! E nunca deixou de ser aprovado. Ah! só mais uma coisa, as câmaras legislativas distritais costumam seguir fielmente os reajustes feitos pela câmara federal.

Fonte: Jornal da Band, Folha Online, G1, Correioweb etc etc

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A quem interessar possa!

9 Abril, 2008 · 24 Comentários

por  Marcos Cesar Filho, colaborador, professor de história e advogado

“Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém”
                                              (Martin Luther King Jr 03 DE ABRIL DE 1968)

No dia 4 de abril de 1968 morreu Martin Luther King, Jr. Em uma época de exacerbada segregação racial. Filho e neto de pastores batistas em 1951, aos 19 anos formou-se em um Seminário Teológico. Quatro anos depois, obteve seu doutorado em Teologia pela Universidade de Boston.

Luther king sempre baseou sua luta nos ideais de resistência pacífica, chegando até a visitar a Índia em 1959, para estudar as formas de protesto pacífico de Gandhi. King continuou a liderar protestos sem empregar violência. Apesar de sempre lutar pacificamente contra a discriminação racial, foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública. Na prisão, King escreveu uma famosa carta na qual afirmava que as pessoas tinham a responsabilidade moral de desobedecer e lutar contra leis injustas. Sua família foi ameaçada de morte e sua casa foi destruída diversas vezes.

Em 1963, organizou a “Marcha para Washington”, que foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. Nesta marcha, King fez seu mais famoso discurso “Eu Tenho Um Sonho” (http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/discursoking.htm ). O discurso expressou seu sonho – e o sonho de todos os negros e de outras minorias nos Estados Unidos – de viver numa sociedade igualitária e justa.

Em 4 de abril de 1968, Martin Luther King, Jr. foi assassinado em Memphis, Tennessee, por um franco atirador branco chamado James Earl Ray.

Essa pequena lembrança, na verdade esse pequeno texto (ou como desejarem) deveria ser escrito há alguns dias, mas me senti com profunda responsabilidade em escrever sobre essa figura impar, um dos melhores seres humanos que infelizmente não tive a honra de conhecer, mas que a obra me influenciou profundamente.

Quatro décadas depois a sociedade norte-americana continua a enfrentar um cenário de extrema intolerância racial o que fez os candidatos Hillary Clinton e o Republicano, John McCain lembrar de sua morte na cidade de Memphis (no Estado do Tennessee)  tentando conquistar apoio entre o eleitorado negro.

Obama, que pode se transformar no primeiro negro a comandar a Casa Branca e que recebe uma grande parcela de apoio dos eleitores negros, celebrou o dia em Fort Wayne, Indiana, onde afirmou a uma multidão de 2.800 pessoas que o cenário político dos EUA não havia honrado os sonhos de King.

- Durante um longo período de tempo, tivemos um cenário político pequeno demais para a dimensão dos desafios que enfrentamos – disse.

- Ao invés de termos um cenário político que honrasse os apelos de unidade feitos pelo doutor King, tivemos um cenário político que usou a raça para nos separar.

- Apesar de cada um de nós possuir um passado diferente, compartilhamos todos as mesmas esperanças em relação ao futuro’, afirmou Obama, citando questões como a oferta de trabalho, a assistência médica, a educação e a segurança financeira na aposentadoria.

Não quero me desiludir com Barack Obama, como aconteceu com outros do qual acreditei e cheguei a defender, mas à realidade e que essas são esperanças comuns, sonhos modestos, mas verdadeiros. E eles encontram no coração da luta por liberdade, dignidade e humanidade que Martin Luther King Jr. deixou.

Hoje sobre sua lapide encontra-se a famosa frase: “Free at last, free at last/Thank God Almighty/I´m free at last” (“Finalmente livre finalmente livre/Obrigado Deus Todo-Poderoso/Finalmente sou livre).

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MIOPIA AGUDA

8 Abril, 2008 · 2 Comentários

por  Raphael Bruno, jornalista, cientista político e colaborador

A repressão do governo chinês aos manifestantes tibetanos e as crescentes deliberações de nações ameaçando vincular sua participação nos Jogos Olímpicos a uma ampliação das liberdades e garantias individuais na China desnudaram uma contradição central que brota no seio da comunidade mundial há anos. Diante de uma economia norte-americana em frangalhos, o país asiático é, hoje, uma garantia da continuidade do sistema econômico global, seja pela dimensão e intensidade de suas relações comerciais seja pela volumosa reserva de dólares que acumula, financiando estruturalmente os déficits dos Estados Unidos.

Todo esse processo se consolidou nos últimos anos sem que a devida atenção para o fato de que a China permanece sendo uma brutal ditadura burocratizada fosse dada. Ora, desde que as multinacionais pudessem lá se instalar para explorar intensamente a mão-de-obra barata, maiores problemas não surgiram. Desde que a China continuasse a exercer seu papel central na dinamização da economia mundial, era possível se fazer vista grossa. As imagens de violência contra monges lembraram o mundo da sua deliberada miopia.

Contudo, ainda mais estarrecedora é a miopia que permanece viva na observação conjuntural de alguns setores da política brasileira. Insistem em utilizar a China como uma espécie de referência. È verdade que esse tipo de situação era mais corrente quando o Brasil ainda patinava em taxas de crescimento medíocres. Mas nem pelos 5,4% de expansão do Produto Interno Bruto brasileiro o “modelo” chinês deixou de povoar o imaginário e o discurso desses grupos.

Um exemplo: a deputada federal Manuela D’Ávila, eleita pelo PCdoB do Rio Grande do Sul nas últimas eleições. Sensação da política nacional pela sua juventude, beleza e força eleitoral. Tanto que alçou sua candidatura a prefeitura de Porto Alegre neste ano e já desponta como uma das favoritas. Pois bem. Em entrevista a uma emissora de rádio logo após sua eleição como deputada, Manuela não poupou elogios à China. Atribuiu seu crescimento econômico à um suposto Estado fortalecido. A argumentação era ambígua. A lógica levava a crer que a deputada se referia a uma presença maior do ente estatal na economia. Mas os fatos sinalizavam que a “força” só podia estar se referindo à concentração de poderes políticos.

Isso porque a China hoje é quase uma antítese do que deveria ser um Estado interventor na economia. Em muitos sentidos, o desenvolvimento do país asiático de hoje se assemelha bastante ao desenvolvimento primitivo do capitalismo na Europa de séculos atrás. Nada de organização sindical, salário mínimo, previdência e outros “mimos” alheios aos interesses da expansão da iniciativa privada, que detém cada vez mais controle sobre a economia chinesa. Ou seja, o que sobra para ser apropriado como modelo só pode estar ligado às práticas políticas autoritárias. Haja óculos corretivos.

Fonte: Artigo publicado no Jornal Fatorama

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A mãe das epidemias

4 Abril, 2008 · Deixe um comentário

por  Cristovam Buarque, colaborador 

Não há dúvida de que a dengue é um dos grandes problemas da saúde brasileira no momento. Além do sofrimento físico de milhares, e da morte precoce de tantas pessoas, inclusive de crianças, o País tem um prejuízo, por causa da fuga de turistas e dos custos médicos e hospitalares, que poderia ser evitado. Mas essa não é a única epidemia que se espalha pelo Brasil de hoje. Nosso país vive uma epidemia de epidemias.

Nosso sistema de saúde é um causador de mortes e desconfortos ainda mais graves do que a própria doença. Além da dengue, temos lepra, febre amarela e outras doenças que já não deveriam fazer parte do mundo moderno. Além disso, nossos hospitais e postos de saúde são caracterizados por longas filas de pessoas sofrendo na espera de atendimento.

A violência urbana mata mais brasileiros, pelas mãos uns dos outros, do que pelas picadas de mosquitos. Carros também provocam milhares de vezes mais mortes e mutilações do que o Aedes Egyptis. O Brasil vive a epidemia de uma guerra civil. Não só os acidentes, as horas perdidas no caos do trânsito são uma forma de epidemia, sem febre nem morte, mas que rouba a vida aos poucos, perdida no vazio do tempo parado. Gera neuroses que se somam, crescem e duram por anos, às vezes para sempre. Sabe-se inclusive que o aumento de automóveis terminará em breve paralisando totalmente as grandes cidades, mesmo com o uso de recursos financeiros gigantescos para a construção de vias, viadutos e túneis. Será mais do que uma epidemia, a morte anunciada do sistema de trânsito urbano, com todas suas conseqüências para a população.

A deseducação é uma epidemia que contamina os cérebros da população brasileira, fazendo-nos um povo sem a produtividade econômica nem a mobilidade social que a modernidade exige e permite; somos um país que fica para trás em relação aos outros, e que deixa as pessoas para trás aqui dentro.

O desemprego – principalmente por causa da falta de qualificação profissional –, o sofrimento e a carência de milhões de brasileiros e suas famílias, por causa da falta de emprego, não são menores do que as dores provocadas pela dengue. O analfabetismo de 16 milhões de adultos é uma epidemia que o Brasil insiste em não controlar. A cada dia letivo, 1450 crianças, 60 por minuto de aula, abandonam a escola, ficando para trás definitivamente, sem concluir o ensino médio. Essa é uma epidemia que aflige não só os brasileiros, mas compromete gravemente a saúde do País.

O que estamos fazendo na Amazônia é uma epidemia com as florestas. As moto-serras e os tratores, nas mãos de brasileiros, estão destruindo o maior patrimônio natural da humanidade.

Todas essas epidemias e outras mais têm uma causa. Nosso pior mosquito se chama imprevidência. Começando pela dengue: ela se espalha pela imprevidência das autoridades e de cada um de nós, que fechamos os olhos hoje para o que vai acontecer amanhã.

Por trás de cada um dos nossos problemas de hoje está alguma omissão no passado. A epidemia de dengue é um símbolo, uma metáfora viva que nos adoece, envergonha, empobrece, mas que também poderia nos despertar. Fazer-nos olhar ao redor, e reconhecer o que falta fazer. Fazer-nos perceber que somos parte de um todo, e que o nosso individualismo, sem compromisso com o conjunto do país, e nossa miopia, na forma de olhar para o futuro, são as causas de todas as nossas epidemias. Talvez assim, diante da tragédia que nos assola, tomaríamos consciência da necessidade de acabar com a imprevidência, a mãe de todas as epidemias.

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